11 outubro 2014

Em contagem...

Esta é a terceira.
Sei que é apenas uma de muitas as que vou contar, mas espero que apenas as primeiras custem tanto.
É terrível a forma como nos sentimos sós mesmo estando acompanhados.

Não é que esteja verdadeiramente só, mas penso que é diferente, não é a companhia que queria. 

Foram já tantos os momentos em que estando acompanhada me senti só.
Apercebi-me mais tarde, felizmente muito a tempo, que estar acompanhada e ter companhia não é de todo a mesma coisa! 

Para falar verdade estive mais vezes acompanhada do que tive companhia. Companhia exige cumplicidade. E cumplicidade só algumas pessoas conseguem. 

Não é toda a gente que entende os meus silêncios. 

Que atura o meu sarcasmo. 

A minha ironia. 

As minhas frases de duplo sentido. 

As minhas contradições. 

Os meus silêncios que gritam silenciosamente. 

Eu sei. 

Não sou fácil. 

Sou cheia de "ques" e "ses" e "talvez" e " nãos" que querem dizer "sins" e vice versa. 

Só alguém como eu, com uma alma gémea à minha, me poderia entender assim. 

Sabes que toda a vida te procurei? 

Por onde andaste? 

Porque demoraste tanto para aparecer? Fizeste - me andar errante por aí... 

Desejando encontrar-te a cada nova esquina. Sabes a ironia da situação? 

Encontrei - te quando desisti de te preocupar! A vida tem coisas engraçadas... 

Um dia acordo. Olho o espelho e decido que basta! 

Não existes e nunca te vou encontrar! 

À noite um texto sobre viagens e a forma como levamos a vida, trás - te para a minha vida.... 

Nunca entendi muito bem a vida... 

Dá e tira sem aviso. 

Sem aparente razão. 

Sabes que não escrevo quando estás?! 

É engraçado. 

És a minha musa inspiradora na ausência. Quando estás o tempo passa tão rápido que acho que nem o próprio tempo dá conta do tempo passar. 

Quando não estás dou por mim a contar horas sem fim.... 

Hoje queria que o tempo passasse rapidamente. 

Aliás, quero sempre quando não estás. 

Mas hoje não estás, não porque não queiras, não estás porque temos planos. É tão bom ter planos. E são tão lindos os nossos planos! 

Quem me dera houvesse um meio mais rápido de os realizar... 


Sabes que apenas vais passar os olhos nestas linhas sem te demorares? 

Não tem mal. Não escrevo para ti. 

Escrevo por mim. É a minha maneira de estar contigo na ausência. 

Como pode isto ser um mundo justo? 

Ah pois. Não é! 

Não é justo de tantas e variadas formas... 

Mas hoje não me vou lamentar. Hoje não! Talvez amanhã. Talvez... Mas hoje não. 

Hoje quero recordar o bom. 

A côr dos teus olhos, o toque da tua mão, o cheiro da tua pele. 

Hoje quero recordar-te como te conheci. 

Quantas e quantas vezes criamos expectativas acerca de algo ou alguém para nos desiludirmos. 

Já te disse que superaste as expectativas que tinha quanto a ti? 

Surpreendeste-me muito. 

Eu sabia que tinhas de ser diferente, mas tão diferente? 

Surpreendeste-me mesmo! 

Voltei não foi? 

Isso é sempre bom sinal. 

Eu sei sou estranha. 

Vivo de recordações. Mas não são apenas recordações. São boas recordações. 

Coisas que não quero por nada esquecer. Sabes tenho medo. Sim esse também. Mas agora é outro. 

Medo de esquecer. 

Sei que provavelmente um dia vai acontecer, mas tenho esperança que as boas recordações fiquem por mais tempo se me mantiver agarrada a elas. 

Por isso gosto tanto de as reviver. 

De falar sobre elas. De as contar. 

Gosto de estórias de "e viveram felizes para sempre!". 

Sempre sonhei com o meu final feliz, a verdade é que nunca o consegui completar. Parece que sempre que inicio essa cruzada ela se mostra infrutífera. 

Mas eu continuo a acreditar! 

Não é demais pedir para ser feliz! 

Aliás é a razão da nossa existência. Senão que andamos aqui a fazer?! 

Tanta volta para chegar a lado nenhum. 

Mas eu sou assim. Preciso de falar. 

E preciso de ti. Bem não é bem precisar. É mais precisar! 

Bem é precisar mesmo! 

Preciso de ti. Não por aquilo que és, mas por quem eu sou quando estou contigo. Gosto de mim assim! 

Sou estranha, eu sei. 

Mas sou eu mesma. 

Verdadeira. 

Sem fingimentos. 

Sem máscaras. 

Sem subterfúgios. 

Só eu!

Acabo, por hoje, com um texto teu bem conhecido.
Hoje sinto-me bem :)

‎" O que se leva da vida é... 

A vida que se leva. 


Desta vida nada se leva...
A não ser a vida que se leva ...
Só se deixa...
Então, te deixo o meu melhor...

Meu melhor sorriso,
Meu maior abraço,
Minha melhor história,
Minha melhor intenção,
Toda minha compreensão.

E do meu amor, a maior porção.
Só quero ficar na memória de alguém como outro alguém que era do bem!"

Antonie de Saint-Exupéry

Em contagem, já vamos no nono....

5 comentários:

João Pereira disse...

Sabes?
Parece que estás a falar-me baixinho ao ouvido.

Tenho saudades!

Mafy Oliveira disse...

Muitas! Imensas! Tantas que nem sei contar...
💕

João P. disse...

Já te li vinte mil vezes... Quero mais!

Mafalda Oliveira disse...

Muitas mais?!

João P. disse...

Mais muitas!